Biografia

Hans Stammreich nasceu em 16 de julho de 1902 em Remscheid, localizada na hoje região administrativa de Dusseldorf (Alemanha).

 

Concluiu a graduação em 1920 e recebeu o título de Doutor em Ciências com grande distinção pela Universidade de Berlim em 1924.

 

Sua tese versava sobre a desensibilização de emulsões de brometo de prata em gelatina e foi orientada pelo Prof. Adolf Miethe (1862-1927).  Foi contratado na mesma Universidade como assistente adjunto do Prof. Miethe no Instituto de Fotoquímica da Escola Politécnica de Berlim-Charlottenburg ainda em 1924 e, com a morte de Miethe em 1927, tornou-se assistente sênior no laboratório do Prof. E. Lehmann, tornando-se responsável poucos anos depois (1930) pela criação de um laboratório de espectroscopia na mesma Instituição. Ele ocupou esse cargo até 1933 quando o partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (Partido Nazista) tomou o poder e ele, por ser judeu, foi exonerado. Instalou-se em Paris até 1940, onde deu aulas nas instituições dirigidas por Langevin e Fabry; quando a França foi invadida pelas tropas alemãs conseguiu deixar a Europa e chegou ao Brasil em outubro de 1940. Aproveitando sua experiência com a fabricação de lâmpadas de descarga, materializada na produção de várias patentes nas décadas de 1920 e 1930, trabalhou para uma empresa que produzia anúncios luminosos.

 

Em 1944 o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial e, apesar dele já desenvolver algumas atividades no Depto. de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, apenas em 1945, com o final da guerra, pode ser contratado como professor assistente, tendo se tornado catedrático em 1947. Nesse ano ele também fundou o Laboratório de Espectroscopia Molecular e adquiriu o primeiro equipamento Raman comercial da América do Sul (um Lane-Wells). Atuou, desde então, de forma muito intensa no aprimoramento de espectrômetros de alta eficiência na região do vermelho e infravermelho próximo, empregando para isso lâmpadas de hélio e rubídio, ganhando notoriedade internacional por suas contribuições.

 

Morreu em 6 de março de 1969 vitimado por um infarto fulminante, quando o laboratório se preparava para substituir as lâmpadas de descarga por lasers na excitação dos espectros Raman.